quinta-feira, 22 de outubro de 2015

REDAÇÃO. TEMA: A telenovela brasileira e sua relação com o público

Olhos abertos às telenovelas

No Brasil, a tevê é a principal fonte de entretenimento da população, e a telenovela, seu “carro-chefe”. Os diferentes temas abordados em suas narrativas frequentemente conduzem os personagens para uma generalização e estereotipação de classes, para fins comerciais.
O cidadão brasileiro, trabalhador das classes “B e C”, dificilmente dispõe de recursos e principalmente de tempo para seu lazer. Desta maneira, utiliza-se demasiadamente da televisão, fonte de entretenimento passivo, acessível dentro de seu lar. Embora apresente-se como um passatempo inofensivo, ela veicula o que lhe convém, minimizando a formação crítica e pensamento individual. Há, portanto, a transmissão de informações seletivas, que atendem aos interesses da mídia e não dos espectadores.
A mensagem veiculada pelas popularmente conhecidas “novelas”, por vezes, define perfis preconceituosos para potencializar sua audiência. Percebe-se a criação de um abismo entre o real (contextualizado) e a ficção dogmatizadora. Perpetua-se pensamentos como: “todo pobre é ladrão', “para ser feliz é necessário ter bens materiais específicos”, “o bem sempre vence no final”, dentre outros.
O ser humano tende a aprender através da contemplação. Explora-se o consumismo dos telespectadores em prol dos patrocinadores e seus produtos. Até que ponto é válido travestir o real, para validar o que nos é apresentado? Somos conduzidos à alienação, cujo objetivo é alimentar determinado nicho econômico, tornando-nos passivos em nossos poderes de escolha.
As telenovelas sempre seguirão o caminho do lucro, visto que são ferramentas da mídia para seu sustento e automanutenção. Cabe a nós, espectadores críticos, cobrar por entretenimentos que promovam o pensamento ativo, reflexivo, diminuindo a mercantilização excessiva dos programas televisionados. Poderemos, assim, usufruir de entretenimentos mais proveitosos, com narrativas mais contextualizadas e dispostas a apresentar discussões saudáveis para os diferentes temas que permeiam a sociedade brasileira.

Vinícius S. Panuci

[Redação feita em outubro de 2015, pelo vestibulando Vinícius S. Panuci,  turma do Cursinho MAXIMIZE Paulista (semi de Agosto/vespertino). Enviada por ele, foi reeditada (fiz pequenos ajustes, como o título - o original era "Telenovelas" - e outras pequenas mudanças. 22/10/15. Tema: “A obsessão do Brasil por telenovelas”]

REDAÇÃO. TEMA: Crise hídrica em São Paulo

A última gota d’água

A grave crise hídrica paulista não pode ser exclusivamente atribuída a um fenômeno natural. Descaso político, falta de planejamento em infraestrutura, bem como o uso irracional da água são as principais causas.
Os alertas de especialistas sobre constantes estiagens a reduzir drasticamente o volume de represas e rios foram criminosamente negligenciados pela nossa administração pública. Geraldo Alckmin, então candidato à reeleição para governador, omitiu tal informação, já que isto implicaria perda de popularidade/rejeição do eleitorado. Sua irresponsabilidade produziu um colapso do Sistema Cantareira, Alto do Tietê e Guarapiranga.
Embora a SABESP seja uma estatal, ela conta com participação do capital privado. Camada de “Terra da Garoa”, a questão da falta de chuva nunca foi um problema para São Paulo; contudo, duas décadas de gestão catastrófica levaram represas até o volume morto. Politicas equivocadas que privilegiavam grandes consumidores (shopping, indústria e agronegócio), por visar ao lucro de acionistas em detrimento da população, agravaram ainda mais o problema.
Se a administração pública não só incompetente como gananciosa submeteu-se ao mercado, o uso nada racional do usuário doméstico não pode ser minimizado. A hiper-urbanização em áreas de mananciais, o desmatamento generalizado da Mata Atlântica, a poluição com esgoto e o desperdício inconsequente conduziram São Paulo à maior crise já vista no país. Há, entretanto, um aspecto positivo neste cenário: nunca fomos tão conscientes da necessidade de mudança de comportamento diante da questão da água.

A grave escassez de água em São Paulo se deve, logo, mais ao fator humano do que à natureza. É imprescindível, portanto, identificar e punir os responsáveis por prejudicar grande parcela da população, já que assim comprometeram a saúde e a economia do maior estado do Brasil. A preservação dos recursos hídricos deve ser feita estimulando nos consumidores um uso mais consciente da água. Reparos para conter perdas, punição para gastadores e mais transparência na administração impedirá que cheguemos à ultima gota.

[Redação feita coletivamente, em outubro de 2015, pela turma do Cursinho MAXIMIZE Paulista - noturno. Enviada por Pedro Passos, foi reeditada em revisada pelo professor Eduardo, em 22/10/15. Tema: “Redução da maioridade penal”]

terça-feira, 20 de outubro de 2015

REDAÇÃO. TEMA: Redução da maioridade penal

Encarcerando o futuro


A redução da maioridade penal está em pauta no país e tem gerado bastante polêmica. Seu objetivo seria reduzir a criminalidade, já que puniria de forma mais efetiva aos menores infratores; contudo, opositores alegam que isso resultará em mais injustiça.
A grande desigualdade social brasileira que segrega a população pobre às áreas mais periféricas e desassistidas (e, portanto, politicamente negligenciadas) tem resultado no aumento da criminalidade juvenil. Ainda que a associação ao crime e ao tráfico (que usam menores por sua aparente "imunidade" processual) seja de uma parcela mínima destes, isso tem servido de argumento para diminuição da maioridade. Assim, oprimidos pelo Estado, via repressão policial, crianças e adolescentes são vistos de antemão, por sua condição social ou cor da pele, como potenciais delinquentes.
Embora a diminuição da maioridade venha a resultar em aumento da população carcerária, vários políticos mais conservadores a “vendem” ao povo como solução para o problema. Aliada a eles, uma mídia sensacionalista que veicula o espetáculo diário da violência e alimenta na sociedade o ódio contra jovens carentes omite que, muitas vezes, esses são vítimas de abuso e exploração de toda ordem. Já a ineficiência na reabilitação em reformatórios, como Fundação Casa, reflete a incapacidade do governo de realizar a reinserção dos jovens à sociedade.
A resposta do Estado para o combate à violência e à criminalidade do país sempre foi com mais violência e isto é perceptível na existência de uma polícia militarizada. Os jovens negros e pobres sempre são os primeiros a serem abordados em “blitze” e batidas policiais de forma truculentas e, costumeiramente, tratados como não-cidadãos. Linchamentos de "trombadinhas", espancamento de garotos de rua e até mesmo proibição de "rolezinhos" a "shoppings" e bailes funk são vistos como naturais e aceitáveis pela sociedade.
A diminuição da maioridade penal é mais uma forma de violência, repressão e segregação contra a juventude brasileira. Acreditamos que o investimento em educação, cursos técnicos, ampliação de espaços de convivência e lazer, além de instituições comprometidas com a reabilitação de jovens infratores, são ações mais producentes para a redução de crimes praticados. É, portanto, hipocrisia e irresponsabilidade a postura daqueles que “por medida de segurança” pregam, estigmatizam e culpam aqueles que deveriam proteger e muito terão a contribuir para construção de um brasil mais justo e menos desigual.


[Redação feita coletivamente, em outubro de 2015, pela turma do Cursinho MAXIMIZE Paulista. Enviada por Cristiano Junior e Jamily Soufia Caprino, foi reeditada em revisada pelo professor Eduardo, em 20/10/15. Tema: “Redução da maioridade penal”]

Cristiano Junioor

TEMA FUVEST 2026: “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”

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